Lola Benvenutti: “Sou garota de programa e sou inteligente, estudada e culta, quero que os outros também reconheçam”
[ external image ]
[ external image ]
“Lola e Gabriela são, decididamente, faces da mesma moeda”. Esta é a forma que Lola Benvenutti define a relação de sua função de acompanhante – termo que ela prefere ser denominada – com a Gabriela da vida pessoal. Atualmente, Lola é muito conhecida em São Carlos devido o surgimento do blog (
http://lolabenvenutti.blogspot.com.br/) onde divulga os preços de seus serviços, show pela web e publicações de contos em que relata as suas experiências com os clientes.
Recém-formada no curso de Letras pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Lola comentou que a graduação lhe ajudou muito na elaboração de contos e afirmou: “Sou garota de programa e sou inteligente, estudada, culta. Reconheço meu poder e quero que os outros também reconheçam”.
Em entrevista para o São Carlos em Rede, Lola/Gabriela contou os motivos que a levou a escolher essa função: “A verdade é que eu sempre gostei muito de sexo e por mais estranho que pareça, sempre cultivei um desejo secreto de trabalhar com isso”. A entrevistada também falou sobre as críticas recebidas e a reação de seus familiares: “Eu sabia que deveria estar preparada para tudo, pois expor o rosto é entregar-se às feras”.
Nas questões abordadas está a exposição de sua profissão à sociedade, onde é necessário “uma dose de ousadia e coragem”. Além disso, Lola falou sobre a utilização da internet para proporcionar os seus serviços: “O blog me divulgou muito mais do que eu imaginava”. Outro aspecto destacado é a importância do sexo em sua profissão: “Proporcionar um bom sexo está intimamente relacionado a gostar do que está fazendo. Por isso, faço aquilo que gosto”.
SCR - Por que o nome Lola Benvenutti?
Lola - Bem, Lola é uma referência ao romance de Vladimir Nobokov, “Lolita”. Quando era mais nova, conheci um homem que fez meu primeiro ensaio sensual e ele me chamava de Lola. Creio que este ato despertou algo em mim e me mudou para sempre. Benvenutti é uma brincadeirinha com sua tradução: “Bem-Vindo”
SCR - Você pode explicar um pouco mais sobre a Lola? Ela foi criada para ter qual característica de personagem ou seria um alter ego da Gabriela?
Lola - No começo eu achava mesmo que a Lola era a profissional e que a Gabriela era minha vida pessoal, mas na verdade é impossível separar de mim uma “personagem” que eu vivo todos os dias, quase o dia todo. Lola e Gabriela são, decididamente, faces da mesma moeda.
SCR - Quando está em serviço, já existiu conflito de identidade entre a Lola e Gabriele?
Lola - O conflito existe mais no blog. Lá, tenho que forçar um pouco mais minha sexualidade, utilizando os vocábulos mais pornográficos. Não quero dizer, com isto, que eu seja uma santa (risos), mas prefiro a sugestão erótica em detrimento da pornochanchada. Por outro lado, sinto que é isto que os leitores querem ver no meu blog e talvez por este motivo eu tenha ficado tão conhecida: uma aluna da federal que, além de expor seu rosto, fala obscenidades (risos).
SCR - O primeiro contato com essa profissão se estabeleceu por quais motivos?
Lola - A verdade é que eu sempre gostei muito de sexo e por mais estranho que pareça, sempre cultivei um desejo secreto de trabalhar com isso e sabia que em algum momento acabaria acontecendo.
Acho curioso o fato de as pessoas tentarem imaginar qual acontecimento familiar macabro me levou a este caminho. Lamento desapontá-los, mas a verdade é que tive ótima educação. Fui criada no sítio, com os melhores valores que alguém pode aprender. A questão é que eu amo sexo!
Quando ainda era menor de idade, entrava em sites de relacionamento e marcava com homens que eu nunca tinha visto na vida. Tornar-me acompanhante foi apenas uma maneira de unir dois gostos: sexo e dinheiro.
SCR - Qual foi a reação familiar em relação a sua escolha para essa área de serviço?
Lola - Foi difícil, claro. Eu preferi ser honesta e contar, antes que alguém o fizesse. Sei o quanto meu pai ficaria magoado em saber disso por outra pessoa.
Minha mãe creio que desconfiava, então não foi um susto tão brutal, mas, infelizmente, ela é do tipo que liga muito para o que os outros falam e creio que, com o tempo, isso minou nossa relação.
Meu pai ficou seis longos meses sem falar comigo e eu achei que duraria a vida toda. Para minha surpresa, conversamos, ele me aceitou – deixando sempre claro que a filha dele, a Gabriela, sempre seria a mesma – e até foi à minha formatura. Tenho muito orgulho de ter esse pai que, apesar dos dissabores, sempre esteve do meu lado.
SCR - Você tinha noção de que quando expos sua profissão publicamente também estaria exposta às críticas dos “fofoqueiros de plantão”? Como foi lidar com isso? Ocorreu certa exclusão de pessoas mais próximas?
Lola - Eu sabia que deveria estar preparada pra tudo, pois expor o rosto é entregar-se às feras. Logo, esperei por críticas.
Por um lado, foi difícil: riscaram meu carro, criaram um perfil falso no Facebook falando para as pessoas do meu blog, etc. Mas por outro, foi incrível ver meus amigos me apoiando, colocando essas pessoas mal intencionadas pra correr (risos). Apesar de algumas caras feias quando eu passo, ninguém nunca me ofendeu frente a frente. Muito pelo contrário! Surgiram os fãs, os quais apelido carinhosamente de “Lola Lovers”, que sempre me elogiam e tratam com muito carinho. Isso supera qualquer crítica, de verdade.
SCR - Em seu blog, logo na seção “quem sou eu”, você descreveu ser uma pessoa que “adora sexo! Intenso, forte, com desejo”. Como foi esse processo de tornar o sexo uma escolha de profissão? Para a Lola “é assim que tem que ser”?
Lola - Não acho que podemos nos fechar em nossas escolhas. Eu decidi ser acompanhante porque me sinto bem. Talvez daqui a um tempo eu queira me dedicar a outra atividade, não sei. Estar bem é fundamental e eu encontrei paz no que faço. Creio que tudo na vida tem que ser intenso, forte e com desejo, sim! Senão, vivemos arrastados por críticas, hipocrisia e infelicidade. Digo isso não apenas como Lola, mas como Gabriela.
SCR - A Faixa etária de seus clientes é variada? No blog os preços são estabelecidos por hora, sendo que para você essa é uma profissão que paga as contas?
Lola - A faixa etária varia muito. Desde estudantes querendo se livrar da temida virgindade até clientes mais maduros buscando novas experiências. Com certeza paga as minhas contas. Não tenho do que reclamar (risos).
SCR - Já que “o limite é o infinito”, até que ponto a questão é proporcionar um bom sexo? Aliás, para você, o que é um bom sexo nessa profissão?
Lola - Proporcionar um bom sexo está intimamente relacionado a gostar do que está fazendo. Por isso, faço aquilo que gosto. Sou bem liberal, entendo bastante do mundo do BDSM e também me interesso por realização de fantasias, de modo que, para mim, todo fetiche é interessante. Bom sexo tem a ver com sintonia. Não adianta ficar lendo essas revistas que ensinam a fazer o oral perfeito se sua parceira não esta curtindo. É preciso se deixar levar. Aprender que harmonia e melodia é que precisam ser estudadas.
SCR - No momento desta entrevista o seu blog está temporariamente fora de serviço, mas nele haviam contos escritos por você relatando de modo literário os programas. Essa iniciativa foi para mostrar uma sutileza e sofisticação na propagação da sua profissão, muitas vezes vista de modo preconceituoso por boa parte da sociedade?
Lola - Como comentei acima, creio que os relatos ainda não estão tão literários como eu gostaria, mas estou trabalhando nisso.
De todo modo, é fato que a linguagem empregada destoa bastante da maioria de blogs similares. Meu modo de escrever é reflexo não apenas desse desejo de conferir glamour a este magnífico universo, mas também uma forma de valorizar meu intelecto. Sou garota de programa e sou inteligente, estudada, culta. Reconheço meu poder e quero que os outros também reconheçam.
SCR - Você pedia licença a seus clientes para a divulgação dos relatos do programa no seu blog?
Lola - Normalmente peço, sim. Quando o cliente não quer ver seu relato publicado, pode me avisar sem o menor problema.
SCR - O que te inspira a escrever os contos ou são apenas exercícios de escrita?
Lola - Inspiração tem mais a ver com paixão, desejo, amor. Amo o que faço. Logo, tudo fica mais fácil.
SCR - O curso de Letras te proporcionou um trabalho bem elaborado no desenvolvimento de seus contos? Você pretende seguir nessa linha literária?
Lola - Com certeza o curso me ajudou muito. Tanto pelas disciplinas quanto pelos montes de livros que li. Se vou me tornar escritora? Não sei. Mas acho mesmo que uma das formas de imortalizar nossas memórias queridas é colocá-las no papel.
SCR - No blog você relatou que seu serviço atende a região (São Carlos, Araraquara, Ribeirão Preto, Rio Claro etc.). Há também a possibilidade de show pela web, esse serviço é muito solicitado? O que você pode explicar do uso da internet para a propagação de sua profissão?
Lola - O show pela web é bastante solicitado, especialmente por clientes que curtem voyeurismo, dominação, Fendom etc. A internet foi fundamental para o meu trabalho. O blog me divulgou muito mais do que eu imaginava, inclusive. É claro que uma dose de ousadia e coragem também foi importante; senão, eu seria só mais uma garota tentando divulgar seu trabalho sem que a família soubesse.
SCR - Além de você, há outras garotas da região trilhando para essa profissão? Em sua opinião, o que as impedem de expor a profissão abertamente?
Lola - Dizem que esta profissão é a mais antiga do mundo, então, com certeza, em cada cidadezinha haverá profissionais do sexo. O problema é que quanto mais conservadora a cidade, mais elas se escondem. Embora São Carlos seja a cidade da tecnologia e tenha três universidades, ainda existe muito preconceito, inclusive no meio acadêmico. Eu passei por situações constrangedoras e creio que muitas outras garotas também, que nem trabalham no meu ramo, mas que lutam pelo domínio de seus corpos. Vide a confusão no “miss bixete”. Creio que toda essa cultura da diferença - embora se “defenda” a igualdade - e o machismo, por parte de homens e mulheres, são pontos fundamentais. Já recebi emails de muitas meninas contando seu interesse por meu trabalho, mas que receiam serem maltratadas, desprezadas etc. Eu lamento muito pela hipocrisia das pessoas, pela maldade e pela inveja e torço sempre para que aprendam a tempo.
SCR - Para finalizar, qual será o futuro da Lola? Hoje você pode afirmar até quando ela estará atuando nesse ramo?
Lola - A Lola/Gabriela está feliz da vida e não tem planos de parar seu trabalho, mas o mundo é mesmo um moinho e nunca sabemos onde vamos parar. Eu torço sempre pelo melhor e acredito. É isso!
http://www.saocarlosemrede.com.br/notic ... m%E2%80%9D