"Personalidades Negras"

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"Personalidades Negras"

#1 Mensagem por roladoce » 01 Out 2012, 21:18

ANDRÉ REBOUÇAS (ENGENHEIRO E ABOLICIONISTA BRASILEIRO)
Nascido em 13 de janeiro de 1838, no município de Cachoeira, este no estado da Bahia. Mudou-se com sua família para o estado do Rio de Janeiro.

O engenheiro André Rebouças fez obras para o abastecimento de água no Rio de Janeiro
André Pinto Rebouças nasceu em plena Sabinada, a insurreição baiana contra o governo regencial. Seu pai era Antônio Pereira Rebouças, um mulato autodidata que obteve o direito de advogar, representou a Bahia na Câmara dos Deputados em diversas legislaturas e foi conselheiro do Império. Sua mãe, Carolina Pinto Rebouças, era filha do comerciante André Pinto da Silveira.

André tinha sete irmãos, sendo mais ligado a Antônio, que se tornou seu grande companheiro na maioria dos seus projetos profissionais. Em fevereiro de 1846, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. André e Antônio foram alfabetizados por seu pai e freqüentaram alguns colégios até ingressarem na Escola Militar.
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O Pastor
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Re: "Personalidades Negras"

#2 Mensagem por O Pastor » 02 Out 2012, 18:09

Muito interessante o post. Há inúmeras personalidades negras ou mestiças no Brasil que infelizmente foram ou enbranquecidas com o tempo, ou propositadamente esquecidas pra ajudar a reforçar o estereotipo de que negro não tem capacidade de criação e que o único legado é ter sido chicoteado como escravo.

A contribuição negra vai muito além de Pelé. Mas é dificl encontrar tais referencias numa midia que prega o eurocentrismo descarado.

Por outro lado, muitos negros proeminentes ao longo da história, pouco lidaram ou souberam lidar com a questão de sua propria afirmação como negro. Há casos clássicos como o de Machado de Assis e outras figuras, que morreram negando serem negros :shock:. O próprio Pelé parece não saber direito em que país vive. E não é um fenomeno brasileiro, o Eusebio em Portuigal, disse que na Europa não existe racismo, que esse negocio de jogador africano ficar reclamando disso é besteira. :shock: :shock: :shock: E com isso pouco contribuiram para a evolução socio-economica do grupo "racial". Mas há casos exemplares como Abdias do Nascimento, entre outros.

Mas é que agora tô meio sem tempo, depois volto a contribuir mais neste tópico.

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bullitt
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Re: "Personalidades Negras"

#3 Mensagem por bullitt » 03 Out 2012, 20:18

Nos Estados Unidos teve o George Washington, ou melhor, o George Washington Carver. A história dele é particularmente interessante principalmente por ter nascido como escravo e ter se tornado um cientista numa época que o acesso à educação pelo afro-americano era praticamente impossível por causa do racismo. É um grande exemplo que com esforço e competência não precisa se cotas raciais e outras babaquices que servem como tapa-buraco.

Na Russia teve o Pushkin, um dos maiores poetas de seu país, era descendente de um africano.

Na França, o famoso Alexandre Dumas.

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Re: "Personalidades Negras"

#4 Mensagem por roladoce » 03 Out 2012, 21:15

bullitt escreveu:Nos Estados Unidos teve o George Washington, ou melhor, o George Washington Carver. A história dele é particularmente interessante principalmente por ter nascido como escravo e ter se tornado um cientista numa época que o acesso à educação pelo afro-americano era praticamente impossível por causa do racismo. É um grande exemplo que com esforço e competência não precisa se cotas raciais e outras babaquices que servem como tapa-buraco.

Na Russia teve o Pushkin, um dos maiores poetas de seu país, era descendente de um africano.

Na França, o famoso Alexandre Dumas.
Nos EUA, país citado, existe a politica de cotas raciais a mais de 25 anos...

Tinha que citar..mais não queria que o tópico desvirtuasse!!!

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wheresgrelo
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Re: "Personalidades Negras"

#5 Mensagem por wheresgrelo » 03 Out 2012, 22:14

roladoce escreveu:
bullitt escreveu:Nos Estados Unidos teve o George Washington, ou melhor, o George Washington Carver. A história dele é particularmente interessante principalmente por ter nascido como escravo e ter se tornado um cientista numa época que o acesso à educação pelo afro-americano era praticamente impossível por causa do racismo. É um grande exemplo que com esforço e competência não precisa se cotas raciais e outras babaquices que servem como tapa-buraco.

Na Russia teve o Pushkin, um dos maiores poetas de seu país, era descendente de um africano.

Na França, o famoso Alexandre Dumas.
Nos EUA, país citado, existe a politica de cotas raciais a mais de 25 anos...

Tinha que citar..mais não queria que o tópico desvirtuasse!!!

PUTA QUEO PARIU... VAMOS COMEÇAR A DISCUTIR DE NOVO SOBRE COTAS???


Então tome na bunda quem é contra... a ARGENTINA, o CHILE, o PERU, o URUGUAI, a COLOMBIA não tem política de cotas
e não encorajam essa política, e se manisfestam sobre isso aquí no brasil através de diversas ONGS, Instituições, Faculdades e
até mesmo professores, orientadores, bolsistas.

Sabem Pq??

Pq nesses países de colonização Espanhola não ouve Regime Escravo... ACORDEM SEUS BOÇAIS vc estão bebendo cultura
de outros países e não a sua própria cultura...

WG

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bullitt
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Re: "Personalidades Negras"

#6 Mensagem por bullitt » 04 Out 2012, 01:02

Não acompanho mais o fórum com regularidade suficiente para saber que o assunto foi discutido à exaustão em algum momento... a ponto de você surtar :lol: , mas mantenho a minha opinião sobre o assunto e ela não depende de opinião de alguma suposta ONG ou seja lá quem for, gringo ou tupiniquim. :doubt:

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O Pastor
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Re: "Personalidades Negras"

#7 Mensagem por O Pastor » 04 Out 2012, 13:16

wheresgrelo escreveu: Sabem Pq??

Pq nesses países de colonização Espanhola não ouve Regime Escravo... ACORDEM SEUS BOÇAIS vc estão bebendo cultura
de outros países e não a sua própria cultura...

WG

Eu não vou discutir sobre cotas. E pensando bem, esse tópico parece mal intencionado nesse sentido.

Apenas uma correção ao Wheresgelo. Todos os países da América do Sul tiveram escravização africana, uns mais outros menos, mas todos tiveram. Os que não tiveram grandes quantidade de escravos africanos, não o fizeram porque preferiram escravizar a população indígena.

É provável q a Argentina tenha tido mais escravos africanos do ponto de vista relativo do que o Brasil. É um erro histórico que muitos cometem sobre a a Argentina, achar q lá não teve escravidão. O próprio tango tem suas origens nos extintos bairros miseráveis habitados pelos descendentes de escravos. Acontece que eles foram exterminados ou condenados a morrer nas inúmeras guerras em que a Argentina participou (ex: Guerra do Paraguai) no final do século XIX. Há o caso clássico em que milhares morreram em BUenos Aires porque o governo se negou a trata-los em um caso de epidemia de colera no final do século XIX. Os poucos que sobreviveram se misturaram com os europeus que chegavam em massa naquela época, deixando poucos resquicios de sua existencia naquele país.

Outro caso interessante que atesta o forte componente racista da sociedade argentina do passado é que houve uma guerra na Patagonia pra exterminar os indios que habitavam a região e deixa-la livre para que os grandes estancieiros tomassem as terras. O governo mandou um exercito formado apenas por negros. Ou seja, negros e indios que se matassem. Há ainda casos de mantas distribuidas para a população indigena contaminadas com doenças.

Quem se interessar pode ler o link abaixo:

http://guiadoestudante.abril.com.br/est ... 4210.shtml


O do Wikipedia é mais suave mas interessante também, onde diz que 20% dos argentinos desconfiam de ter algum ancestral africano:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Afro-argentinos

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Compson
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Re: "Personalidades Negras"

#8 Mensagem por Compson » 04 Out 2012, 15:24

Cotas neste tópico, por favor:

http://www.gp-guia.net/viewtopic.php?f=12&t=16192

Sobre personalidades, um gênio brasileiro que poucos lembram que foi negro é o Aleijadinho, filho de um mestre de obras português com sua escrava africana. Como ele não foi retratado em vida, sua raça acabou meio que se perdendo na cultura oficial racista que predominou no Brasil no século XIX e boa parte do XX e ele virou um "pardo escuro".

Aqui um exemplo de seu trabalho notável, ainda mais que boa parte de sua obra foi esculpida sob o efeito de uma doença degenerativa que lhe limitava os movimentos:

[ external image ]

Segundo um biógrafo, devia ser dos nossos, "tanto que era visto muitas vezes tomando parte nas danças vulgares"...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleijadinho
http://www.starnews2001.com.br/biograficos.html

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florestal
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#9 Mensagem por florestal » 04 Out 2012, 21:15

[ external image ]

Agostinho Neto, médico, poeta, fundador do Movimento Popular de Libertação de Angola-MPLA e primeiro presidente do país.

Comecemos pelas suas poesias:
Criar


Criar criar
criar no espírito criar no músculo criar no nervo
criar
criar com os olhos secos

Criar criar
sobre a profanação da floresta
sobre a fortaleza impudica do chicote
criar sobre o perfume dos troncos serrados
criar
criar com os olhos secos

Criar criar
gargalhadas sobre o escárnio da palmatória
coragem nas pontas das botas do roceiro
força no esfrangalhado das portas violentadas
firmeza no vemelho sangue da insegurança
criar
criar com os olhos secos

Criar criar
estrelas sobre o camartelo guerreiro
paz sobre o choro das crianças
paz sobre o suor sobre as lágrimas do contrato
paz sobre o ódio
criar
criar com os olhos secos

Criar criar
criar liberdade nas estradas escravas
algemas de amor nos caminhos paganizados do amor
sons festivos sobre o balanceio dos corpos em forças
simuladas

criar
criar com os olhos secos

Agostinho Neto
A Voz do sangue

Palpitam-me
os sons do batuque
e os ritmos melancólicos do blue

Ó negro esfarrapado do Harlem
ó dançarino de Chicago
ó negro servidor do South

Ó negro de África

negros de todo o mundo

eu junto ao vosso canto
a minha pobre voz
os meus humildes ritmos.

Eu vos acompanho
pelas emaranhadas áfricas
do nosso Rumo

Eu vos sinto
negros de todo o mundo
eu vivo a vossa Dor
meus irmãos.

Agostinho Neto
Do povo buscamos a força



Não basta que seja pura e justa
a nossa causa
é necessário que a pureza e a
justiça existam dentro de nós
Dos que vieram
e conosco se aliaram
muitos traziam sonhos no olhar
intenções estranhas
Para alguns deles a razão da luta
era só ódio. Um ódio antigo
centrado e surdo como uma lança
Para alguns outros era uma bolsa
bolsa vazia (queriam enchê-la) queriam
enchê-la com coisas sujas, inconfessáveis
Outros vieram
Lutar para nós é ver aquilo que o povo
quer realizado
é ter a terra onde nascemos
é ter para nós o que criamos
Lutar para nós é um destino
ponte entre a descrença e a certeza do
Mundo novo
Na mesma barca nos encontramos
Todos concordam - Vamos lutar!
Lutar para que?
Para dar vazão ao ódio antigo?
Ou para ganharmos a liberdade e ter para nós
o que criamos?
Na mesma barca nos encontramos
Quem há de ser o Timoneiro?
Ah, as tramas que eles teceram
Ah, as lutas que aí travamos
Mantivemo-nos firmes; no Povo buscamos a força e a razão.
Inexoravelmente como uma onda que ninguém trava venceremos
O povo tomou a direção da barca
mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa a nossa causa
é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.

Agostinho Neto

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florestal
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#10 Mensagem por florestal » 04 Out 2012, 21:39

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O contexto histórico era outro, o mundo mudou, as ideias mudam, mas quem quer construir o futuro tem de conhecer o passado:

*português de Angola.

Sobre a libertação (discurso pronunciado na Universidade de Lagos, Nigéria, em 20 de janeiro de 1978)


Tem sido durante alguns dias, um grande privilégio e um grande prazer, conhecer directamente alguns dos mais prestigiosos centros educacionais da República Federal da Nigéria, de contactar com o Povo deste grande e belo país.

O honroso convite para visitar esta universidade é mais um dos momentos em que me é permitido tomar contacto com a intelectualidade nigeriana, uma parte da qual está em Borno e em Bauchi.

Nesta cerimônia, que é uma homenagem dedicada pela Universidade de Lagos e por Sua Excelência o General Olusegun Obasanjo, Chefe do Governo Militar Federal, tenho ainda uma inesquecível ocasião de poder reflectir sobre um tema que é querido na Afríca e pelos diversos povos africanos.

Durante esta breve comunicação irei expondo o que penso e com a permissão de todos, farei breve comentários ao que se passa.

De entre os conceitos de libertação que profusamente são emitidos e particularmente para o nosso continente, há um, primário e concreto, que diz respeito à libertação política de cada país e de cada povo, incluindo o direito de dispor de si próprio e de escolher a forma sócio-económica que parece a mais adaptada e a mais conveniente ao povo de cada área geo-política.

Este é um conceito que todos os povos africanos sem excepção e os seus responsáveis defendem.

A aplicação prática é justa, e é justificada pela História que marcou cada povo e cada homem africano, com o ferrete da escravatura, da dominação e da exploração.

Cada homem africano reflecte na sua carne e na sua mente, o fenômeno da dominação europeia, em África e também noutros continentes. Dominação esta traduzida em actividades mercantis, religiosas, militares e culturais que têm o seu significado profundo, no desejo de dominar.

A libertação, na nossa época, portanto, assumiu duma maneira bem vincada, um carácter político, pretendendo sacudir de cada povo uma dependência e uma sujeição incompatíveis com a condição de seres humanos.

Este tipo de libertação não poderia, contudo, satisfazer senão um dos aspectos mais visíveis da exploração secular da África. Mas tem os seus reflexos profundos, na constituição após a independência, da vida material dos povos e da sua vida espiritual.

Uma das consequências da falta de liberdade é o subdesenvolvimento econômico, científico, técnico e cultural.

Os países explorados tornaram-se economicamente débeis e em muitos casos, lançados numa situação caótica que os obriga a retomar ou a continuar a sua dependência dos outros países mais desenvolvidos.

A saída harmoniosa para toda a sociedade e para a Nação, exige uma compreensão clara do problema do desenvolvimento social.

Existem elementos materiais que permitem estabelecer essa harmonia para qualquer povo e um desses elementos é o problema das relações entre as classes sociais dentro de uma sociedade. Da resolução das situações particulares em torno da questão, depende a transformação desejada pela parte da Humanidade desejosa de libertação.

Não menos importante são outros elementos - a cultura e a capacitação técnica. A cultura é um dos elementos da libertação. A técnica também. E qualquer povo, mesmo durante o período mais difícil da dominação conservou, pelo menos uma parte do património cultural. Procura ascender a uma posição de melhor conhecimento da ciência e de dominação da técnica.

A alienação cultural passa a ser combatida intelectualmente e sociologicamente no sentido de uma correcção da produzida pela independência.

Falando aqui na Nigéria, em que os povos exprimem de maneira exuberante a sua cultura, quer na expressão linguística oral, nas suas manifestações artísticas, na sua vida social, que vai da maneira de trajar às do alimentar, sinto que as culturas milenares não cessaram de se desenvolver, excepto talvez no período de convulsões políticas, em que a hesitação na directiva poderia ter feito esquecer alguns problemas sociais.

Mas é certo, que a libertação domina cada sociedade africana.

A libertação, que é um factor da Revolução, não pode de modo algum, ser efectiva, se não se inclui decidida e definitiva, num processo contínuo de evolução social.

Este processo é a revolução política, econômica, cultural e técnico-científica.

A libertação política oferece a possibilidade de cada Estado determinar a sua forma própria de organização social. Porém, a possibilidade apenas não é suficiente. É necessário utilizar essa possibilidade em favor do povo, de cada uma das suas camadas sociais,de cada nação e toda a população.

Hoje, o comum dos homens outrora dominados e ainda afectados pela dominação, sofre uma enorme pressão para adoptar o seu próprio ponto de vista. As questões internacionais que se manifestam cruamente através do problema do mercado é tão importante para um grupo social, como a mandioca ou o pão diário são importantes para o indivíduo. Onde encontrar mercados? Como utilizar os mercados? Em benefício de quem? São questões essenciais para cada Estado, rico ou pobre.

No entanto, a análise que em Angola nos levou a optar pelo socialismo científico, é aquela que determina a evolução da sociedade em qualquer continente.

Durante o processo para a nossa Libertação política nacional, verificamos os desníveis sociais que, em Angola, são enormes.
Os homens da Europa eram capitalistas mercantilistas, mas depois da Revolução de Outubro, que transformou uma parte do mundo, tornaram-se exportadores de capital financeiro, utilizando o fraco equipamento e conhecimento técnico dos países que eles próprios mantiveram nesta condição.

Podemos compreender isso facilmente, porque a sociedade humana, esteve sempre dividida em classes e era dependente dos meios privados de produção. Isto explica a atitude e o comportamento das classes sociais em cada época histórica. As relações de produção determinam, não só a maneira de pensar dos homens, como a possibilidade de dominação de um homem ou de um grupo de homens pelos donos dos meios de produção.

Da Europa, não foram todas as classes sociais que vieram explorar a África. Foram os detentores dos meios de produção que farejaram com ânsia cada Continente, à procura de um lucro maior. E os que chegavam a África foram os exploradores das classes trabalhadoras na Europa.

Estudando os fenômenos sociais na nossa época, chega-se à conclusão que só a socialização dos meios de produção permite uma distribuição justa da riqueza, de maneira a beneficiar a totalidade dos homens, de acordo com a sua capacidade de trabalho, em cada continente.

E, no fundo, o que desenvolve a Humanidade é o trabalho.

Na nossa África, o homem está ainda sujeito a inúmeras vicissitudes. Uma parte do Continente é dominada por colonialistas, imperialistas ou por minorias raciais. Esta é uma verdade constatada diariamente por aqueles que acompanham a vida ao sul do mar Mediterrâneo. E esta realidade esconde as verdadeiras bases fundamentais da exploração.

Portanto, ao colocarmos o problema da África sob o signo da libertação devemos ser o mais profundos possíveis, e incluir a libertação no capítulo da Revolução.
Libertar é transformar uma ordem social estabelecida por minorias.
Libertar, é retirar uma parte da humanidade da dominação de determinada classe social.
Libertar, é salvar explorados, da exploração.
E por isso mesmo libertar uma sociedade, é fazer revolução.
Se aceitamos esta maneira de pensar, teremos de dizer que a libertação do colonialismo, por exemplo, não é uma libertação completa.

Portanto, recorrendo ao exemplo dos países africanos, verificamos que a luta contra o colonialismo não resolveu alguns problemas essenciais, como o da economia de cada país, o do desenvolvimento científico, técnico e cultural. Nem, imediatamente, o problema crucial da defesa da soberania ou da integridade territorial.

Teremos, evidentemente, de encontrar as causas desta situação dramática que conduziu alguns dos países africanos ao neocolonialismo, ou à dominação completa pelo imperialismo.

E, quando, no conjunto africano pensamos na libertação dos últimos redutos coloniais ou de minorias racistas, estaremos nós africanos a pensar numa libertação verdadeira, completa, por uma revolução social, e não apenas a tratar de salvar aparências para evitar confrontações dolorosas.

No entender do MPLA-Partido do Trabalho que aqui represento, e também é a minha ideía pessoal, no nosso Continente é necessário que se faça a Revolução. Libertação em primeiro lugar e depois, transformações profundas da própria sociedade.
A base é a análise objectiva e material da História da África e de cada país do Continente. É preciso libertar o Homem não só do esclavagismo colonial, mas ainda de qualquer forma de dominação social no interior de cada país. Nenhuma classe deve poder explorar outra. Na espécie humana os direitos são iguais e o bem-estar de cada um deve depender apenas da sua capacidade de trabalho.

Daqui, qualquer pensamento esclarecido e honesto, passaria à análise da composição de classes de cada país à compreensão das suas possibilidades, a fim de determinar o regime sócio-político.

Em Angola, por exemplo, 85% da população vive no campo e é camponesa. Se desprezassemos esta realidade, cometeríamos um grave erro.

Em Angola, uma minoria dos trabalhadores é constituída por operários, empregados na indústria, tendo vastas perspectivas para tomar a direcção do País, ultrapassando em capacidade de organização e de mobilização, os próprios camponeses.

Os grandes capitalistas eram portugueses. Retiraram-se quase todos para Portugal.

Os pequenos e grandes comerciantes eram portugueses.

As grandes Companhias monopolistas internacionais continuam em Angola, como a Gulf Oil, o Caminho de Ferro de Benquela, a Petrangol, etc..

O Povo angolano, os trabalhadores angolanos, eram submetidos a um regime de exploração dos mais ferozes. O trabalho do homem ou da mulher, na cidade ou no campo, deve ser remunerado da mesma maneira, o que não acontecia neste caso. E até o trabalho infantil foi utilizado para realizar mais lucro, a fim de enriquecer o explorador.

Com a independência, a situação material foi, em parte, corrigida.

Foi nacionalizada a maioria das acções da Diamang-Companhia de Diamantes.

A maior parte das empresas industriais ou agrícolas, foi confiscada.

A maior parte dos recursos econômicos, foi colocada nas mãos do Povo angolano.

Contudo nós definimos Povo como o conjunto de todas as camadas patrióticas da Nação. Assim, são elementos do Povo, os operários, os camponeses, a pequena burguesia patriótica e a intelectualidade progressista.

Põe-se agora o problema de saber, para garantir o triunfo da Revolução e após a libertação política, quem deverá dirigir o País, para extinguir para sempre a exploração do homem pelo homem.

Pensamos, mas este pensamento não é original, que só os trabalhadores, representados pelo operariado e pelo campesinato, são garantia de um processo revolucionário completo.

Pensamos que não necessitamos de passar pelo capitalismo nacional, para chegar a uma fase socialista justa. Iremos directamente ao Socialismo científico.

Não pretendemos refazer, em Angola, uma classe exploradora qualquer, nacional ou estrangeira. A direcção são os trabalhadores, os operários e os camponeses, que nunca se deixarão explorar e que não têm interesse em explorar.

Os ex-explorados, que não podem ter o desejo de explorar outrém, reunirão à sua volta os outros elementos da sociedade e será realizada a unidade nacional.

Porque, qualquer explorador é explorador, esta é a sua característica principal. Não importa a cor, ou a sua nacionalidade. O mecanismo da exploração é sempre o mesmo.

Por isso criámos o Partido do Trabalho, que é a Vanguarda da Classe Operária e dirigente da Nação, que orientará o País para o Socialismo, passando pelas etapas mais convenientes e práticas.

Sendo assim, o que será o futuro?

O futuro será implacavelmente socialista. As forças produtivas não poderão parar a sua própria evolução para o Socialismo, em que não há exploração do homem pelo homem. E, isto é justo. A nossa Revolução é dirigida ao bem-estar da pessoa humana, peça da Humanidade. A libertação do colonialismo, é uma fase da luta. A revolução social, é o complemento necessário.
Por isso os povos continuarão a luta.


A LUTA CONTINUA!

A ViTóRIA É CERTA!




Agostinho Neto

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#11 Mensagem por florestal » 04 Out 2012, 21:47

[ external image ]
Mausoléo de Agostinho Neto, as margens do oceano em Angola.
Inscrito em seu mausoléo

O oceano separou-se de mim
enquanto me fui esquecendo nos séculos
e eis-me presente
reunindo em mim o espaço
condensando o tempo.

Na minha história
existe o paradoxo do homem disperso

Enquanto o sorriso brilhava
no canto de dor
e as mãos construíam mundos maravilhosos

john foi linchado
o irmão chicoteado nas costas nuas
a mulher amordaçada
e o filho continuou ignorante

E do drama intenso
duma vida imensa e útil
resultou a certeza

As minhas mãos colocaram pedras
nos alicerces do mundo
mereço o meu pedaço de chão.

Agostinho Neto

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#12 Mensagem por florestal » 16 Out 2012, 22:10

http://www.amazon.fr/Afrique-une-autre- ... roduct_top

E por falar em negros, existe um ótimo documentário a venda na Amazon da França, que conta a história do continente africano de 1900 a 2010. Oito pessoas o qualificaram positivamente, sendo que sete deram as cinco estrelas e a única que deu quatro afirma que o documentário é bom. Quando isso acontece é sinal que vale a pena ver.

O problema todo é $$$; o documentário custa 24 euros, mais uns 10 para mandar, dão uns 35 euros, que é R$ 100,00; quase um TD nessas clínicas que eu frequento; então eu estou pensando, pensando, pensando,,,


*


http://www.amazon.fr/Cuba-odyss%C3%A9e- ... /ref=sr_1_ a1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1350435914&sr=1-1

Já esse outro DVD eu comprei já tem algum tempo e mostra a história da independência dos países africanos e a participação decisiva de Cuba na libertação. Mostra desde a ida de Che Guevara ao então Congo Belga (no lago Tanganica) e a tentativa de criar guerrilha na África. Não deu em nada. Depois mostra os movimentos de libertação, como se formaram e a participação decisiva de Cuba em Angola, expulsando a aviação da África do Sul que contava com o apoio dos Estados Unidos. Tem dublagem em português de Portugal. Recomendo como um ótimo filme

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Re: "Personalidades Negras"

#13 Mensagem por ussama » 17 Out 2012, 18:33

vou citar 2: arthur bispo do rosario e eustaquio neves, o primeiro sergipano, que morou no rio, e ficou internado durante 50 anos no hospicio, é considerado o maior artista brasileiro, agora na bienal sua obra esta exposta como a principal; o segundo, fotografo mineiro, é considerado o melhor artista fotografico do brasil.

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