Eu entendo que a maioria das coisas que ela falou é pertinente e que são o resultado de uma evolução do ambiente de putaria. Inclusive eu já havia me manifestado a respeito, quando disse estas coisas:
Eu entendo que o Fórum deva proibir qualquer comentário degradante para a mulher que trabalha oferecendo serviços de natureza sexual, assim sendo, ficariam proibidas de se utilizar expressões como puta (devido a alta conotação negativa que a palavra possui em nossa sociedade), vagabunda, perva, baranga, rampeira e outras expressões, como por exemplo que "as putas são um depósito de porra", que são safadas etc. Tudo isso deveria ser editado e com o tempo não haveriam mais essas expressões pejorativas contra as mulheres.
Deve-se buscar chamá-las da maneira que elas preferem: Garotas de Programa, simplesmente garotas ou acompanhantes.
Deveria ser proibido também qualquer tentativa de diminuir a mulher, afirmando, por exemplo, que puta não serve para nada, que são putas porque não conseguem outras qualificações, que se não quiser ser puta que vá ser faxineira, etc... Qualquer tentativa de diminuir a mulher deveria ser proibida.
Poder-se-ia pensar também em substituir a palavra TD por outra que não tivesse qualquer significado de coisificação da mulher, mesmo se sabendo que não a utilizamos com essa intenção.
Na descrição dos TDs ficaria proibida qualquer menção negativa ao aspecto físico da mulher: peitos caídos, bunda quadrada, flacidez, espinhas no rosto, corte de cesariana, cara estropiada, etc... Esse tipo de coisa visa ofender e não interessa aos demais, o que importa realmente é o atendimento.
Desejo observar que sigo a maioria desses critérios nos meus relatos. O fato de existirem situações piores em outras profissões não significa que não devamos tentar aprimorar o nosso meio.
O preconceito, também chamado de estigma da prostituição, deve ser combatido e é perfeitamente possível fazer com que ele desapareça. Historicamente, os judeus também foram vítimas de preconceito, principalmente à época da Inquisição e hoje ele permanece apenas residual na Europa, não existindo no Brasil. Se foi possível com os judeus, por que não será possível com as Garotas de Programa?
Eu acrescentaria que o adequado é que as garotas tivessem também o direito de resposta, uma réplica e criar também uma tréplica para o forista.
Acredito que com essas inovações estaríamos caminhando no sentido de um avanço nessa questão. Não vejo nenhum problema nessas iniciativas, o que sabemos é que o novo sempre desperta desconfiança e rejeição, mas com o tempo ele acaba se impondo e todos começam a gostar da nova situação, passando a rejeitar a situação anterior.
Por qual motivo fazer essas coisas? Bem, descrever negativamente a garota (peitos caídos, etc.) causa abalos psicológicos, insegurança, depressão e um monte mais de outros problemas negativos (lembram-se do aluno que matou toda uma classe no Rio porque era xingado pelos outros na escola?). E também não há necessidade dessa descrição, ela é feita para ferir, porque as garotas possuem fotos e nas clínicas e privês existe a apresentação; acontece que tem cara que vê, sabe perfeitamente bem com quem está saindo e depois posta essas coisas ou porque quer ofender ou de alegre. Então o ideal é ir educando.
Já com relação aos xingamentos (vagabunda, etc...) existe uma grande violência contra as pessoas que trabalham nessa atividade; todos os dias uma garota de programa é assassinada por esse Brasil afora. E essa xingação favorece essa violência, existem diversos estudos a respeito, a violência contra o diferente começa com os impropérios, inclusive historicamente foi o que aconteceu com os judeus, os homossexuais, os ciganos e os comunistas na Alemanha nazista.
Sobre a violência, desejo transcrever apenas parte do trabalho de uma pesquisadora portuguesa, ela própria vítima de óleo queimado que lhe foi atirado quando ela estava trabalhando na coleta de dados para o seu trabalho:
A violência contra estas mulheres continua evidente?
A violência sobre as pessoas que se prostituem na rua é muito intensa e frequente. As agressões assumem diversas formas: violência física, sexual, psicológica, com maior ou menor gravidade, sendo dirigidas a mulheres, homens e transexuais. Entre as diversas vitimações, destacam-se as agressões físicas directas, incluindo murros, pontapés, ameaças com armas e o arremesso de objectos, a violação ou tentativa de violação, o rapto e os insultos verbais.
Neste estudo destaquei ainda a violência institucional, que decorre do contacto destas pessoas com instituições na área da saúde, da justiça e da segurança social. Como, por exemplo, quando os trabalhadores do sexo são discriminados em instituições de saúde ou quando a polícia não os trata como aos restantes cidadãos.
http://www.oregional.pt/pt/newspaper/33 ... plexo.html
Um clima de bom relacionamento com as garotas favoreceria uma melhora no atendimento. Se a garota atende mal, o ideal é que seja criticada para que passe a atender bem, tem muita novata que quando começa é dura e tudo o mais, com o tempo elas acabam pegando o jeito e passam a atender melhor. Então a finalidade é esta, melhorar o atendimento e denunciar aquelas que querem apenas dar golpes; mas para melhorar o atendimento é preciso que a crítica seja real e bem dosada, nenhuma garota vai melhorar o atendimento sendo chamada de vagabunda.
Politicamente, um clima de animosidade com as garotas não interessa, porque fazemos parte do mesmo ambiente. É bom lembrar que o avanço religioso no Brasil é preocupante, cada vez eles galgam mais cargos e não tenham dúvidas, se eles se sentirem fortes politicamente, eles passariam a perseguir a prostituição mais ainda do que é perseguida, com a polícia dando batidas diariamente em bordéis, principalmente os do interior do Brasil, em cidades médias e pequenas. De maneira que a garota é uma aliada contra essa política.
No mais, considero que a Lola consegue se comunicar muito bem e tenho a lamentar que ela não esteja aparecendo mais na mídia como eu gostaria. No programa da Marília Gabriela ela disse que saiu a primeira vez com 11 anos; hoje, com as leis da Maria
do Rosário (PT/RS) é crime punível com 12 anos de cadeia (sem certeza) para o homem. Quantos brasileiros estão presos por esse motivo? Seguramente estamos pagando prisão para um monte de gente que não cometeu crime algum mas permanecem presos por capricho de religiosos que conseguiram impor sua vontade para a sociedade com uma lei totalmente contra os costumes. Enquanto apenas 8% dos homicídios são solucionados as polícias são colocadas para perseguir menores que estão fazendo sexo e fechar bordéis pelo interior do Brasil. Quem sofre com isso? Quem paga a conta? Como não se vê ninguém falar nada contra essas arbitrariedades, então, viva a Lola.